sexta-feira, 16 de maio de 2008

Escolhas

Em alguns momentos, o coração bate mais devagar, quase uma súplica. Talvez pudéssemos escolher o silêncio (eterno). Sabendo que palavras não vão explicar; mesmo que soubéssemos as frases. Às vezes sentimos que está escorrendo entre nossos dedos.
The Road Not Taken
Two roads diverged in a yellow wood,
And sorry I could not travel both
And be one traveler, long I stood
And looked down one as far as I could
To where it bent in the undergrowth;
Then took the other, as just as fair,
And having perhaps the better claim,
Because it was grassy and wanted wear;
Though as for that the passing there
Had worn them really about the same,
And both that morning equally lay
In leaves no step had trodden black.
Oh, I kept the first for another day!
Yet knowing how way leads on to way,
I doubted if I should ever come back.
I shall be telling this with a sigh
Somewhere ages and ages hence:
Two roads diverged in a wood, and I--
I took the one less traveled by,
And that has made all the difference.
Robert Frost (1874-1963).
Mountain Interval. 1920

O importante é não permitir que uma parte de nós fique sempre naquela bifurcação. Assumir nossas opções.
Embora conscientes, temos esperanças. Por algum tempo, preferimos não ter certeza, até que se torna insuportável. É um alívio. Finalmente saber.. Nada altera o fato de que escolhemos. Sim, abandonamos antigas crenças e certezas. Corremos riscos. Perdemos e ganhamos. Restam-nos vazios. Cada pessoa carrega os seus e sabemos que nada podemos fazer um pelo outro, apenas respeitar. Todos têm perdas. Não há medida, não há como saber se o que dói mais é o que vivemos e deixamos para trás ou o que apenas gostaríamos de ter vivido, mas nunca se concretizou. Que não haja arrependimentos (esses sim insuperáveis). Infelizmente, a dor silenciosa - a que estamos condenados - é a mais desoladora. O que podemos converter em lágrimas ou lamentos se exterioriza, o que guardamos para nós, acaba nos acompanhando por toda a vida; não morreu quando deveria. Embora cada um saiba de sua renúncia, "a dor é inevitável, o sofrimento é opcional". Por tudo que passamos e sofremos, aprendemos nosso valor e ele não vem do outro. O que somos, o que conquistamos, também nossos grandes defeitos. Sem comparações.
Podemos sim escolher... No caminho menos trilhado, podemos escolher desbravar. Podemos escolher nos manter honestas e não nos render. Podemos escolher não nos deixar abater pelo cansaço, a dúvida ou o desânimo. Manter-nos alertas e conscientes, mesmo que de nossas ilusões, é a única esperança.

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